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quinta-feira, 10 de maio de 2012

FARINHA DO MESMO SACO? NÃO QUEREMOS ACREDITAR…

Andamos mal, não há dúvida, então não é que as mesmas pessoas que condenaram, e bem, a entrega, no ano passado, directamente em Bruxelas do PEC (Plano de Estabilidade e Crescimento), sem conhecimento prévio da Assembleia da Republica e do Senhor Presidente da Republica, vêm agora entregar o DEO (Documento de Equilíbrio Orçamental) também em Bruxelas, sem que tivessem dado prévio conhecimento do mesmo à Assembleia da Republica e ao Senhor Presidente da Republica, que por acaso também pertence ao mesmo partido politico. Isto deve estar tudo mesmo muito louco.
Não se ganha nada com este tipo de situações a não ser desgastar o capital de confiança que os portugueses depositaram no actual partido no poder.
Mas pior, quando finalmente este governo entrega na Assembleia da Republica os quadros anexos ao DEO, para análise dos “nossos mui ilustres” deputados, não é que os documentos em causa estão elaborados em inglês? Quando ouvi em directo a notícia nem queria acreditar. Será desprezo, incompetência ou propositado? Seja o que for não se pode aceitar, nem com pedidos de desculpa do Senhor Ministro.
Temos tentado reconhecer os esforços de rigor, de exigência do actual executivo, sendo que muitas das medidas adoptadas suscitam-nos as mais acesas dúvidas se não poderiam ser levadas a cabo de outra forma, embora no entanto as mesmas medidas mereçam o nosso total apoio face à calamitosa situação das finanças públicas a que o anterior “desgoverno” nos conduziu, o que parece que toda a gente já esqueceu, ou está em vias de esquecer.
Veja-se o caso do Doutor António José Seguro que muito rapidamente veio mostrar a sua mais elevada e expressiva indignação pela total falta de sentido de estado do actual governo, dando-se mesmo ao desfrute de pedir uma reunião ao Senhor Presidente da Republica. Este senhor não estava em Portugal quando os seus correlegionários políticos fizeram o mesmo, no ano passado? Não devia estar, porque se estivesse, com o seu ar de menino bem comportado, teria feito garantidamente um alarido no mínimo idêntico, ou não teria?
Triste situação a que este país chegou, a incompetência é como uma doença altamente contagiosa, por mim sinto-me, com cada vez maior frequência, assediado por ela, não sendo fácil resistir-lhe, já que ela se justifica, em nós mesmos, através do apontar as falhas dos outros.
Tentando resistir a esta determinante, pede-se ao actual governo mais cuidado, reflexão e capacidade de escolha para a nomeação dos altos cargos da administração pública, para não se ver envolvido em situações altamente desgastantes como esta.
Alguém acredita que teria de ser o Senhor Ministro Gaspar que deveria estar preocupado se os documentos entregues no parlamento deveriam estar em português ou inglês? Será que fez, ou mandou fazer de propósito, para permitir a situação embaraçosa em que se encontrou? Quem seria que esteve na origem desta falha? Talvez algum repescado “comissário politico”, que como muitos outros e por razões no mínimo estranhas têm vindo a ser nomeados pelo actual governo para diversos lugares de topo da administração pública.
Depois não se queixem….. tenham cuidado, para não desmotivar ainda mais o povo que vos elegeu.
A vossa resiliência é, no nosso modesto entender, o factor que nos poderá tirar do aperto a que a irresponsabilidade do anterior poder nos conduziu.
Luís Costa Silva

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